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Um conto para ler antes de dormir

Onde as estrelas vêm descansar

A história do Vale das Lanternas, em oito capítulos curtos. Leva uns cinco minutos, ou uma noite inteira, depende de quem está ouvindo.

  1. 1 O vale
  2. 2 A torre
  3. 3 A madrugada do Tobias
  4. 4 O mapa da Lina
  5. 5 As cartas do Pipo
  6. 6 O sopro do Brasa
  7. 7 A noite sem lua
  8. 8 E toda noite

Capítulo 1

O vale

Longe daqui, depois das montanhas que só aparecem de noite, existe um vale pequeno e quieto. Os pinheiros são altos, o riacho é raso e, em cada galho, mora uma lanterna.

Não são lanternas comuns. Dentro de cada uma dorme uma estrela. Estrelas também se cansam, sabe? Passam a noite inteira brilhando lá em cima, e às vezes o brilho vai ficando fraquinho, fraquinho, até que elas escorregam do céu.

Quando isso acontece, elas caem no Vale das Lanternas. E alguém do vale sempre vai buscar.

O vale à noite, com lanternas penduradas nos pinheiros e os moradores reunidos

Capítulo 2

A torre

No meio do vale fica a Torre das Lanternas. É ali que as estrelas cansadas descansam, cada uma numa lanterna de vidro, até ficarem fortes de novo para voltar ao céu.

Quando uma lanterna começa a brilhar mais forte, todo mundo sabe: aquela estrela está pronta. Ela sobe devagar, devagarinho, e o vale inteiro para para olhar.

Capítulo 3

A madrugada do Tobias

Quando a última lanterna da torre se acende, o forno do Tobias já está quente. Ele sova a massa devagar, cantarolando baixinho para não acordar ninguém.

Dizem que o cheiro do pão de mel sobe até as nuvens e ajuda as estrelas cansadas a acharem o caminho de volta. O Tobias não confirma nem desmente. Só sorri e oferece mais um pedaço.

Tobias, o urso padeiro, segurando uma bandeja de pão de mel na padaria

Capítulo 4

O mapa da Lina

Na casa da árvore, a Lina trabalha na janela redonda, com uma lamparina acesa e um carretel de linha sempre por perto. Cada estrela que cai vira um pontinho dourado no mapa.

Quando alguém novo chega ao vale, é ela quem tira as medidas primeiro. "Todo mundo aqui tem o mesmo corpo de pano", ela explica, "então toda roupa serve em todo mundo. É assim que a gente divide."

Lina, a raposa cartógrafa, desenhando o mapa do vale à luz de uma lamparina

Capítulo 5

As cartas do Pipo

A bolsa do Pipo pesa pouco e carrega muito: um recado do Tobias, um pedaço de mapa da Lina, um "volto já" do Brasa. Ele sai do correio saltitando e volta ao anoitecer, com as orelhas cheias de novidade.

Toda carta do vale tem uma estrelinha dourada no envelope. É a marca do Pipo, e quer dizer: alguém pensou em você hoje.

Pipo, o coelho carteiro, com a bolsa cheia de cartas

Capítulo 6

O sopro do Brasa

Os outros dragões soltavam labaredas. O Brasa tentava, tentava, e saía só um bafinho quente, de chá recém-passado. Um dia, uma estrelinha caiu tremendo de frio na beira do lago. Ninguém sabia o que fazer.

O Brasa chegou perto e soprou, bem devagar. A estrela parou de tremer, abriu um olho e sorriu. Desde então ele mora numa caverna morna perto do lago e é chamado toda vez que alguma estrela chega cansada.

Brasa, o dragãozinho verde, soprando ar morno numa estrela caída na beira do lago

Capítulo 7

A noite sem lua

Numa noite sem lua, uma estrela caiu mais longe que as outras, num ninho de musgo do outro lado da Ponte das Nuvens. Quando o Brasa chegou para aquecê-la, ela já tinha virado alguém: uma menininha lilás, de orelhas caídas, olhando tudo com espanto.

Os moradores deram a ela um pijama de noite estrelada, para não sentir saudade do céu. E deram também um nome: Lume, porque onde ela está, a noite fica um pouco mais clara.

Lume, a filha de uma estrela, em pé no ninho de musgo, olhando uma estrela cadente

Capítulo 8

E toda noite

Hoje o vale continua igual. O Tobias acende o forno, a Lina anota onde caiu cada estrela, o Pipo leva os recados, o Brasa aquece quem chega com frio e a Lume brilha um pouquinho mais quando está feliz.

E se um dia você olhar para o céu e vir uma estrela escorregando, não se preocupe. Ela está só indo descansar. Alguém do vale já está a caminho.

fim

Quer levar alguém do vale para casa?

Cada morador é um boneco de algodão costurado à mão. O primeiro lote está sendo feito agora.